Oi. Você já
ouviu o disco Raw Power (1973), do Iggy and The Stooges? Eu acho que você não
está perdendo nada, mas a maioria das pessoas acha que eu estou errado. Vamos
ver o porquê.
Nessa
época, o Stooges já tinha lançado dois disco, The Stooges (1969) e Fun House
(1970), ambos tinham sido fracassos comerciais. A gravadora Elektra divulgou
muito o mal esses álbuns e mandou a banda passear antes que eles lançassem o
terceiro álbum (High five, Elektra!). Junte a isso o fato do baixista Dave
Alexander estar lutando contra o alcoolismo e o vocalista Iggy Pop, contra o
vício em heroína e o resultado é o fim do Stooges.
Por
intermédio de David Bowie, amigo de Iggy e, de acordo com o próprio vocalista,
uma das poucas pessoas que conseguia entender o que o Stooges fazia, Pop foi
contratado pela Columbia Records e MainMan Management como artista solo e
viajou até Londres para gravar um disco. Junto com ele, veio o guitarrista
James Williamson, que tocou uma época com o Stooges no fim de 1970. Já na terra
da Queen Beth, eles não conseguiram achar uma “cozinha” para a banda e, então,
mandaram chamar os irmãos e, também, ex-Stooges Ron e Scott Asheton. Ron era
guitarrista, mas não chegava nem aos pés do talento de Williamson, então ficou
encarregado dos baixos (pegar ou largar). Scott era baterista e... continuou
sendo baterista mesmo.
Iggy
produziu e mixou o disco inteiro que, infelizmente, ficou uma merda (palavras
da Columbia e não minhas)! O vocal e os solos de guitarra estavam claros, mas
os outros instrumentos estavam todos embolados, porque Iggy mixou todos em um só
canal (a mesa tinha 24!!!), com pouca noção de harmonia e tonalidade. Aí o chefe
da MainMan deu um toquezinho, o Bowie vai remixar isso aqui, senão o álbum não
vai ser lançado. Iggy, sabiamente, concordou.
“Search and
Destroy”, faixa 01, foi mantida com a mixagem de Iggy, mas Bowie remixou todas
as outras sete músicas em um dia, em estúdio baratinho de Los Angeles. Bowie
ouvia a música, conversava com Iggy, Iggy explicava o que ele queria, Bowie
dava umas sugestões e botava a mão na massa. Acabou saindo um disco que a banda
poderia se orgulhar.
É um disco muito
masculino, o que se divergia das tendências glam e sexualmente ambíguas da
época, o que inclui o próprio David Bowie. O disco não foi bem recebido nem pelo
público e nem pela crítica. E a banda não durou muito mais tempo. Tanto a
Columbia quanto a MainMan demitiram os caras, depois que a grana que a banda recebeu
como adiantamento foi gasta com drogas... Muitas drogas! O Stooges não suportou
e depois de menos de um ano de lançamento de Raw Power, a banda se separou e a
rapaziada foi tratar de se desintoxicar.
Apesar da
baixa recepção inicial, o álbum ganhou, com o passar dos anos, o status de cult.
Influenciou os primeiros punks de Nova York e Londres, o que rendeu a Iggy Pop
o papel de padrinho do movimento. Kurt Cobain falou em inúmeras entrevistas que
esse era seu disco favorito e que era a principal influência para o som do
Nirvana. Johnny Marr, do Smiths, compara James Williamson ao Jimmy Page e diz
que “é assim que o Darth Vader soaria se tocasse numa banda”. Steve Jones, do
Sex Pistols, diz que foi com esse álbum que ele aprendeu a tocar. E a lista segue: Black Flag, Mötley
Crue, Cee Lo Green, Red Hot Chili Peppers, Def Leppard, Guns n´ Roses…
E apesar de
eu (e o pessoal da Columbia), pessoalmente não gostar desse disco , eu não
posso ignorar o fato de que Raw Power é um dos discos mais importantes da
história do rock. Influenciou o punk, e influencia muitas bandas excelentes até
hoje.


