Oi. Você já
ouviu o disco The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle (1973), do The
Boss, Bruce Springsteen? Então daqui pouco você continua o que você está
fazendo. A gente precisa conversar.
Quando eu criei esse blog meu intuito era, entre outras
coisas, me obrigar a conhecer material novo (mesmo que velho!). Isso acabou me
dando a oportunidade de quebrar velhos preconceitos. Eu só resolvi escrever
sobre esse disco porque um amigo muito querido, Sérgio Fernandes, é um grande
fã do The Boss e, mesmo eu dizendo que não gostava do som que o Bruce
Springsteen fazia, sempre insistia para que eu desse uma chance, para que eu
fosse além do “Born in the USA”. Pois bem, o dia chegou e que surpresa boa eu
encontrei.
Ao contrário da maioria dos disco que eu já escrevi a
respeito aqui no blog, esse não foi na época um sucesso de vendas, mas é, hoje,
um dos favoritos dos fãs. Apenas oito meses depois da sua estréia com um disco
folk rock, Bruce Springsteen amplia seus horizontes em um disco que traz
influências de jazz, funk, soul, além do habitual folk rock. Em seu segundo
disco, ele parece se levar mais a sério também. As músicas ficaram mais
ambiciosas, mais longas, mais românticas, sem perder a assinatura do autor. As
letras vagueiam sobre as esquinas de Nova Jersey e as ruas movimentadas de Nova
York e formam o retrato de um artista que, ainda que cheio de nostalgia, está
seguindo em frente.
Como coloca o jornalista Dave Lifton, as duas músicas que
abrem o disco, “The E Street Suffle” e “4th of July, Asbury Park (Sandy)”
trazem um feeling cinematográfico perfeito. A primeira sendo a típica cena do
baile de formatura no ginásio da escola, e a segunda, o momento em que o
mocinho fala para a namorada que vai deixar a cidade e buscar o que mais existe
no mundo afora.
“Kitty´s Back” vem em seguida, trazendo forte influência de
jazz. Metais, solos de guitarra e teclado (por David Sancious, o Boss do The
Boss – ele morava na E Street, que acabou dando o nome para a banda) e voz
impecável. “Wild Billy´s Circus Story” fecha o primeiro lado do disco no estilo
circense itinerante que dá nome à música, com Springsteen no violão,
acompanhado de uma tuba, bandolim, acordeão e percussão.
O lado B contém só três músicas, mas tem quase 23 minutos.
Duas delas reforçam o lado nova iorquino do disco, “Incident on 57th Street” e “New
York City Serenade”. No meio dessas duas, há a belíssima “Rosalita (Come Out
Tonight)”, música que fechou os shows de Bruce Springsteen até 1988.
Nunca de novo o mundo viu The Boss tão eclético, bebendo de
tantas fontes e mesclando ritmos com tanta maestria. Muito disso se deve à
saída de alguns membros originais da E Street Band. Vini “Mad Dog”, baterista,
saiu no braço com o irmão do empresário do grupo - foi demitido. Ernest “Boom”
Carter e David Sancious, baterista substituto do Mad Dog e tecladista
respectivamente, saíram em 1974 para formam um grupo de jazz, o Tone. Os novos
membros da banda acabaram aguçando o lado mais roqueiro de Springsteen, que
nunca voltou a fazer outro álbum como esse, ironicamente um dos melhores na
história do rock.




