Oi. Você já
ouviu uma banda chamada Klaatu? Pois é, eles têm um disco chamado Hope e hoje é
dele que eu vou falar.
Essa é uma
daquelas bandas que se não fosse pelo maníaco por música que é o meu padrasto,
eu jamais conheceria. Então vamos começar do começo. Quem são esses caras? O
Klaatu é uma banda de rock canadense, formada em 1973, por um figura chamado
John Woloschuk e outro figura chamado Dee Long, que foram acompanhados mais
tarde por outro cabra chamado Terry Draper. Eles fazem um som meio smart pop,
symphonic rock, meio música de ficção científica (aliás, o nome da banda vem de
um E.T. humanóide, do filme sci-fi “O Dia em que a Terra Parou”, de 1951), um
pop a là Beatles com a teatralidade das vozes a là Queen.
Beatles?!
Sim, eu disse Beatles. E esse é um nome muito importante na história do Klaatu.
Por quê? Bem, acontece que, por conta da insinuação de um tal Steve Smith,
jornalista do Providence Journal, espalharam-se rumores de que eles eram
ninguém menos que os próprios Beatles, que estavam retomando os trabalhos da
banda (parada desde 1970) sob o outro pseudônimo. O fato do Klaatu, no primeiro
disco, assinar todas as músicas como banda e não indivíduos, somada à falta de informações sobre quem diabos esses caras eram (como com qualquer banda
iniciante), fortificou ainda mais esses rumores e beatlemaniacs no mundo todo,
como é de se esperar, enlouqueceram. O Klaatu logo negou que isso fosse verdade
e negou também que qualquer Beatle tivesse envolvimento com composição,
gravação ou produção de qualquer material deles. Mas, nesse ponto, o caos em
volta deles já tinha se estabelecido e, coincidência ou não, a música “Calling
Occupants of Interplanetary Craft (the Recognized Anthem of World Contact Day)”
acabou virando um hit(zinho). Depois, foi ainda gravada pelo The Carpenters e
se tornou hit(zão). A revista inglesa New Musical Express, até escreveu um
artigo sobre esse imbróglio todo, chamado “Deaf Idiot Journalist Starts Beatle
Rumour” (jornalista surdo idiota inicia rumor sobre os Beatles). E, no meio
tempo, a Capitol Records (responsável pela distribuição do Fab Four nos EUA) fortalecia
o rumor numa tentativa de alavancar as vendas.
Certo.
Curiosidades a parte, vamos falar do disco que é o que interessa. Hope, o
segundo disco do Klaatu, foi lançado em
1977 e representa o pico criativo da banda, trazendo todos os elementos acima
citados. Não agradou, no entanto a mídia
especializada, que tachou o disco como sendo muito pretensioso (curiosamente,
quando eles “eram” os Beatles não tinha problema). É um disco conceito, gravado
com a Orquestra Sinfônica de Londres (o que resulta num autêntico disco de rock
progressivo), sobre o único sobrevivente de uma raça de seres arrogantes, que,
em seus últimos momentos de vida, avisa
viajantes do espaço sobre perigos que irão enfrentar.
Hope foi
considerado o último bom disco da banda, que acabou seguindo, no início dos
anos 80, com um pop rock pouco original, até o fim do Klaatu em 1982.

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