Oi. Esse
texto sobre o Queen não vai falar de Bohemian Rhapsody, nem sobre o disco A
Night at the Opera. Sim, eu sei que é linda, uma obra prima como poucas, mas
hoje vamos falar de outro disco e outras músicas igualmente exemplares.
Você já ouviu
o disco Jazz (1978)? Não? Então senta que a gente vai bater um papo.
O Queen
havia lançado em 1977 o disco News of the World, que foi um sucesso estrondoso:
4 discos de platina nos EUA e 2 no Reino Unido. E quando a News of the World
Tour acabou, os quatro integrantes se mandaram para Montreux, na Suíça, onde
acontece até hoje o famoso festival de jazz, e se dedicaram à gravação do sétimo disco do Queen. Depois se mudaram para
Nice na França e isso é importante, logo explico o porquê.
O produtor
foi Roy Thomas Baker, o coprodutor de A Night at the Opera (eu disse que não
falaria desse disco!). E esse álbum marca não só o retorno do produtor (a banda
decidiu nos dois álbuns anteriores trabalhar sem produtor algum), mas também um
retorno da banda a um rock mais puro e simples, apesar da miscigenação de
estilos que ele traz, como se cada integrante estivesse puxando um cobertor
para seu lado. A recepção do disco pela crítica foi mista, indo do 8 ao 80. A
Rolling Stone detonou o disco e chamou o Queen de “primeira banda verdadeiramente
fascista”, que vinha para deixar claro que eram superiores no mundo da música (“WE
Will Rock You”, “WE Are the Champions”, do News of the World e “Let ME
Entertain You”, desse disco que falamos) , enquanto a Q escreveu que esse é o
disco mais subestimado da carreira do Queen, com uma selvagem mistura de
arranjos não vista desde A Night at the Opera (difícil não falar desse disco!).
“Mustapha” abre o disco. Uma música enigmática
de Freddie com forte influência árabe e persa. Em alguns shows, o Queen abria
Bohemian Rhapsody (eu disse que não falaria dela) com essa música, indo de "Allah
we'll pray for you" para "Mama, just killed a man...".
“Fat
Bottomed Girls” vem em seguida. Uma
homenagem de Brian May para as gruppies
que ficavam (ficam?!) do lado de fora do camarim das bandas esperando mais que
um autógrafo. Essa música tocou
excessivamente nas rádios e durante a primeira metade da década de 80 foi
música obrigatória do repertório do Queen.
“Jealousy”
é uma balada sobre a dor do ciúmes em uma relação (O amorrr é uma dorrr!!!) e
conta com Freddie no piano e Brian inventando moda, fazendo sons de citara no
violão.
Quando o
Queen estava em Nice (eu disse que era importante!), terminando as gravações, a
Tour de France passou por lá e isso inspirou Freddie a fazer uma das músicas
mais legais e complexas (várias modulações, acordes incomuns, mudanças de
tempo) desse disco, “Bycicle Race” (Melô do Haddad?!). Até aqueles sininhos de
bicicleta foram adicionados à música. Glin-glin.
“If You
Can´t Beat Them” é uma música do baixista John Deacon. Provavelmente a mais
pesada do álbum e da carreira de John Deacon. O solo de guitarra tem mais de
dois minutos e é um dos mais longos do Queen.
“Let Me Entertain You” fecha o lado A do disco e é aquele tipo de rockão
de show em estádio. A letra fala diretamente para o público: Hey
- let me welcome you ladies and gentlemen/ I would like to say hello/ Are you
ready for some entertainment?
Agora pense numa música com bateria rápida e guitarra pesada, uma raiz
do metal. Perfeita para para alucinar o público em apresentações. Pois é, “Dead
on Time” tem tudo isso, mas nunca foi adicionado no repertório. Vai entender!
No fim da música, há um barulho de trovão (gravado durante um black out nos
estúdios em Montreux) devidamente creditado no encarte... cortesia de Deus(!).
“In Only Seven Days” é outra composição de John para esse disco. Que
balada bonitinha! É a história de um romance de férias e conta com Freddie ao
piano e o compositor se dividindo entre baixo, violão e guitarra.
“Dreamer´s Ball” é uma música de Brian May que soa meio cabaré, meio New
Orleans. É na verdade um tributo a Elvis Presley, morto um ano antes.
“Fun it”, na minha humilde opinião, é a ovelha negra do álbum. A contribuição
do baterista Roger Taylor tem uma levada funk/ disco e bateria eletrônica e é a
primeira (mas não a última) vez que o Queen flerta com esses ritmos.
“Leaving Home Ain´t Easy” é uma balada elegante composta e cantada por
Brian May. Carta fora do baralho no lado B desse disco, poderia ter saído do
White Álbum, dos Beatles.
“Don´t Stop me Now” é a próxima. A música mais popular do disco, um hino
aos vencedores, àqueles que desejam dar a volta por cima, àqueles que, por uma
noite, vão esquecer os problemas e se jogar, se divertir. Tudo vai dar certo no
fim. Nessa música poderosa, Freddie toca piano lindamente (ele come o piano com
farinha!) e Brian May sola como quem sonha. Chegou no Top 10 britânico, foi
tema de propaganda no Brasil, foi a música utilizada pelo Google para comemorar
65 anos do Freddie Mercury e o programa Top Gear, da BBC, elegeu essa a melhor
música para se ouvir dirigindo. Ufa!!!
E fechando o álbum vêm a outra contribuição de Roger Taylor para esse
disco, “More of That Jazz”. Taylor, nessa música, faz críticas à maneira como o
rock era desrespeitado, canta, toca bateria, baixo e guitarra, no melhor estilo
Dave Grohl de ser (ou melhor, Dave grava no melhor estilo Roger Taylor de ser).
A música ainda incorpora um medley de outras canções do disco. Dead On Time, Bicycle Race, Mustapha, If You Can’t Beat Them, Fun It e
Fat Bottomed Girls. Não surpreendentemente, nunca chegou a ser
tocada ao vivo.
A festa de
lançamento do disco em New Orleans foi uma das mais insanas do mundo do rock.
Mais de 400 convidados, incluindo a imprensa da Inglaterra, América do Sul,
Japão e EUA e os funcionários da EMI e da Elektra. Começou a meia noite e
contou com lutadoras nuas na lama, anões, engolidores de fogo, bandas de jazz,
dançarinos Zulu, dançarinos voo doo, strippers, drag queens e... Como se chama
quem anda de monociclo?! (E você toma uma cerveja, amassa a lata na testa e se
acha hardcore.)
Jazz
alcançou o segundo lugar nas paradas britânicas e ganhou disco de ouro. Nos
EUA, alcançou o sexto lugar e foi disco de platina. E foi sucesso no resto do
mundo: primeiro lugar em Portugal, quarto na Holanda, quinto na Alemanha e no
Japão.

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