sexta-feira, 27 de março de 2015

Scorpions - Love at First Sting



Oi. Você já ouviu o disco Love at First Sting (1984), do Scorpions? Então “get over here” (piadinha de gamer para quebrar o gelo).



Você tem uma banda e acha que o sucesso nunca vai bater na sua porta? Se avexe não. O Scorpions só foi alcançar o grande estrelato e o mercado mundial nesse, que é seu nono álbum. São quase 20 anos desde a fundação da banda em 1965. Claro, que eles, nessa época já eram um grande nome do hard rock, tendo construído uma carreira respeitável durante a década de 70. Mas foi só nos anos 80, numa onda que trouxe para o mundo nomes como Judas Priest e Iron Maiden, que o Scorpions realmente se tornaram o que são hoje. Só para ter uma noção, até música em de novela dos 8, o Scorpions teve nesse época (“Still Loving You” em Corpo a Corpo, 1985).

Mas como roqueiro é um bicho xiita e bitolado (sim, eu sou roqueiro também), o disco recebeu muitas críticas de fãs mais antigos. O que para alguns era considerado melhorias e adaptações de velhos hábitos e estilos, para outros foi considerado como comercialização do som da banda; se adaptar para vender mais (como se ganhar dinheiro fosse pecado).

Críticas, cabelos armados cheios de laquê e calças mais apertadas que as do Fresno e Chitãozinho e Xororó a parte, a realidade é que a banda vivia um momento de ascensão e sabia exatamente aonde queria chegar com esse álbum. “Rock Like a Hurricane”, por exemplo, foi n° 25 nas paradas norte americanas e é, até hoje, uma boa definição para explicar o que é hard rock (guitarras com distorção fazendo solos intermináveis e refrões grudentos que a gente fica cantando depois, fazendo air guitar e air drums, mas air bass não, porque ninguém faz isso); “Coming Home” e “The Same Thrill”, para agradar o público do Heavy Metal, eram mais pesadas e rápidas (apesar dos primeiros versos da primeira serem uma baladinha), semelhante ao que o Iron Maiden vinha fazendo; e, claro, “Still Loving You“, é uma balada para os cora­­ções partidos e os mais sensíveis.

A banda, que antes era conhecida somente na Europa (principalmente França, Suíça e Alemanha, claro) e no Japão, acabou que se tornando uma das maiores bandas de rock do mundo e, com certeza, a maior banda de rock da Alemanha. A venda de seus discos anteriores alavancaram junto com Love at First Sting e eles passaram a ser convidados para tocar em grandes festivais no mundo todo... E inclusive aonde? aonde? aonde? No primeiro Rock in Rio, aonde eles tocaram antes do AC/DC, no dia 15/01/85, diante de 300 mil pessoas

Esse disco rendeu a maior turnê da história da banda, influenciou gente como o Mötley Crüe, Metallica e Mercyful Fate e (dizem por aí) alavancou o número de bebês nascidos na Europa e de pessoas chamadas Sly no mundo (Still Loving You).


terça-feira, 24 de março de 2015

Rolling Stones - Tattoo You



Oi. Você já ouviu o disco Tattoo You (1981), do Rolling Stones? Então respira fundo e senta que lá vem música.



Décimo sexto disco dos Stones na Inglaterra, décimo oitavo nos EUA, e o último de uma geração de discos da banda que chegaram ao topo das paradas americanas. Foram dez anos consecutivos, desde Sticky Fingers (1971). 

A segunda metade da década de 70 e o início dos anos 80 foi marcado pelo abuso de drogas e idas para a reabilitação (Keith Richards, o imortal), sonegação de impostos (o que fez a banda se mudar da Inglaterra para a França), acusações de tráfico (o que fez a banda se mudar da França para Los Angeles), mas também podem ser considerada a era de ouro dos Stones. A banda voltava a cair no gosto do público jovem (sim, nessa época eles já eram velhos) e não parava de fazer turnês; e elas estavam ficando cada vez maiores, mais coloridas e mais elaboradas. Desse jeito, quem tem tempo para se dedicar a compor músicas novas (ainda mais quando Jagger e Richards estão emburradinhos um com o outro)?! Como o álbum anterior a esse (Emotional Rescue), Tattoo You é um apanhado de músicas abandonadas durante as gravações da década de 70, mas isso fica bem menos evidente dessa vez. O disco é cheio daqueles rocks de show em estádio lotado e é considerado por muitos como o melhor registro dos Stones (não na opinião de quem vos escreve, nem a de Mick Jagger, mas isso fica para outro post).

O lado A é mais roqueiro e lado B, mais sossegado. Você que vai ouvir o disco na vitrola, já pode escolher que lado vai dar o play de acordo com a sua vibe do dia. A primeira do álbum é também uma das mais conhecidas da banda. “Start Me Up”, faixa rejeitada pela banda em 1975 e de novo em 1978, é um hino do rock, suingada para caramba, mas é uma daquelas músicas que, ao exemplo de Hotel California que eu escrevi outro dia,  cansou de tanto que já tocou (isso pode ser também porque eu coloquei essa música para tocar automaticamente sempre que eu ligo meu computador... Há 6 anos). E o álbum é cheio de outras preciosidades. “Slave”, “Hang Fire”, “Black Limousine”. Todas mostram muita versatilidade, com influências de reggae, música negra norte americana, blues.

“Heaven” mostra a fonte de onde bebem a maioria das bandas de indie rock de hoje em dia. Em “Neighbors”, Mick Jagger acusa os vizinhos de tocar saxofone, fazer algazarra e tentar roubar sua mulher... Tudo o que se espera quando os Rolling Stones moram na casa ao lado. Essas duas são as únicas músicas que foram gravadas exclusivamente para Tattoo You.

 A última do disco, “Waiting on a Friend”, uma faixa rejeitada de 1972, época quando Mick Taylor ainda tocava na banda, fecha a obra com a maturidade de quem está chegando na meia idade, falando de um amor perdido e aceitação, e com o saxofone do músico de jazz, Sonny Rollings.

Mas como maturidade é um assunto delicado quando se fala no mundo dos rock stars, uma bobice de criança acabou abalando a paz dos Stones. O título do álbum deveria ser “Tattoo”. Até hoje Jagger jura por Jeová que não sabe como o “You” entrou no título. Mas o caso é que entrou e essas três letras deixaram Richards puto e achando que o vocalista estava tomando decisões na banda pelas suas costas. As constantes brigas dos dois, que já vinham desde os anos 70 (madame, Brenda e majestade eram só alguns dos apelidos que Richards dava para Jagger), não diminuíram ao longo dos anos e, coincidência ou não, a era de ouro também não voltou.


quarta-feira, 18 de março de 2015

Black Sabbath - Black Sabbath





Oi. Você já ouviu o primeiro disco do Black Sabbath (1970)? Então pega uma bíblia e um terço que você vai precisar de proteção.





Hoje a gente vai falar de Heavy Metal. Ou hoje a gente vai falar de Black Sabbath? Ou a gente vai falar do Capiroto? É difícil falar de um sem o outro (Heavy Metal e Black Sabath... não o Capiroto). Esse disco pariu o Metal. Claro que outras bandas, tipo o Led Zeppelin e o Deep Purple, já vinham trabalhando um estilo mais pesado de rock nessa época. Mas só o Sabbath, mesmo que ainda carregando fortes influências do blues, pode ser identificado até hoje por qualquer headbanger, desde a nova geração até o cara mais true, cabeludo, que veste jaqueta de couro e coturno em pleno verão/Brasil/tropicaliente (mão na consciência,amigo. Isso não deve ser saudável!), como verdadeiro e puro Metal. 



A criação do estilo foi uma acidente, vítima de várias circunstâncias. Para começar, o berço do Black Sabbath é a cidade de Birminghan, na Inglaterra; uma cidade medieval, que acabou se tornando um dos grandes pólos da Revolução Industrial, com todas as fábricas gigantes, poluição e demissões em massa que se tem direito. E se isso já não deixasse aquele clima deprê, Sazon para temperar música boa, a cidade foi fortemente bombardeada pelos alemães na Segunda Guerra. Junte esse elementos e você não vai querer extravasar, liberar e jogar tudo para o ar, em cima do trio elétrico. Você tem grandes chances de desenvolver uma natureza mais sombria.



Tem também o fato que o Tony Iommi, guitarrista da banda, antes do sucesso, perdeu a ponta de dois dedos da mão direita (a que ele usava para fazer os riffs, uma vez que é canhoto) em um acidente na fábrica que ele trabalhava (isso mesmo! E se tornou um dos maiores guitarristas da história! Qual é a sua desculpa?!). Inspirado pelo disco de um cara chamado Django Reinhardt, um guitarrista que só tinha dois dedos, Tony decidiu não abandonar seu sonho e foi buscar maneiras de superar a sua deficiência. Entre idéias boas e outras nem tão boas, ele acabou: 1) trocando as cordas da sua guitarra por cordas de banjo, que eram mais finas; e 2) afrouxando a afinação da guitarra (e, por consequência, abaixando o tom), para que as cordas ficassem mais macias. Isso resultou em um som muito característico do Sabbath e, por conseguinte, do Heavy Metal. (Só a história do Tony, eu acho que já dava um post para esse blog, mas vai ficar para a próxima. Prossigamos.)



O baixista Geezer Butler não era baixista. Ele era guitarrista e só trocou para o baixo porque Iommi disse que não iria tocar numa banda com outro guitarrista. Resultado: ele não sabia fazer linhas de baixo e, então, ficava copiando os riffs de guitarra no seu baixo. Isso foi outro fato determinante para definir o peso do som.



Mas só esses fatos ainda não podem levar os créditos pela banda do Ozzy ter se diferenciado dos seus contemporâneos. Eles conseguiram achar aquela maldade, aquela perversidade, aquela psicopatia escondida no blues e beberam nessa fonte até chamar urubu de meu louro. Talvez dessa inspiração venha o relacionamento com o Sete-pele, Pé-de-cabra, Encardido, Belzebu. Isso e o fato de temas como maldade, ocultismo, paganismo, morte e escuridão estarem espalhadas nas letras de todo o lado A do disco. A primeira música, que se chama Black Sabbath (Black Sabbath, do Black Sabbath, do disco Black Sabbath), é extremamente sinistra e obscura. Dá para sentir o cheiro de enxofre. “Big black shape with eyes of fire/ Telling people their desire/ Satan's sitting there, he's smiling/ Watches those flames get higher and higher/ Oh no, no, please God help me!” : )



O lado B é menos maldoso e mais blues e evidencia um pouco a falta de experiência dos músicos, que ainda eram bem jovens (o Ozzy tinha só 22 primaveras). Os riffs de Tony perdem um pouco a originalidade. Na última faixa, “Warning”, um cover de uma banda pouco conhecida, chamada Retaliation (ou Aynsley Dunbar Retaliation), a palavra “warn” nem é mencionada. O Ozzy ouviu a letra errado. 



Para finalizar o porquê do disco ser como é, vem o fato dele ter sido gravado ao vivo, em dois dias (um para gravar e outro para mixar) e em um estúdio que não era o melhor, mas era o que dava para pagar. E nada disso tira a graça de Black Sabbath (só evidencia o poder criativo dos artistas por trás dele) e nem o peso revolucionário que ele tem, afinal não é todo o dia que nasce o primeiro disco de Heavy Metal do mundo.