Oi. Você já
ouviu o primeiro do disco do The Doors (1967)? Ta perdendo, hein! Discásso!
Tudo
começou quando, num belo dia de 1965 (Não sei, na verdade, se estava belo. Sou
um otimista!), um sujeito chamado Jim Morrison chegou para outro sujeito
chamado Ray Manzareck, que ele conheceu na UCLA (University of California, Los
Angeles) - mais precisamente na Academia de Teatro, Cinema e TV, e disse que
tinha escrito umas músicas, nada demais. Acontece que esse tal de Manzareck
tocava teclado numa banda chamada The Rick and the Ravens, que ele tinha com os
dois irmãos dele, e insistiu muito para que Morrison desse uma palhinha de
alguma música que ele tinha escrito. Morrison cantou uma chamada “Moonlight
Drive”, que convidava o ouvinte (ou a “ouvinta”) a nadar na lua e penetrar pelas ruas da cidade enquanto todos dormem. O Manzareck
pirou naquela poesia psicodélica e chamou o Jim para cantar na sua banda. Nascia,
então, o embrião do que viria a ser o Doors.
O Manzareck
conhecia um baterista chamado John Densmore das suas aulas de meditação e chamou
ele para entrar na banda. Esses cinco caras e mais uma baixista chamada Patty
Sullivan, passaram a se chamar The Doors, gravaram uma demo tape e fizeram um
belo de um burburinho pela cena alternativa da California. Um tempo depois, os
dois irmãos Manzareck e a Patti saíram da banda e os três que sobraram chamaram
o guitarrista Robbie Krieger, que já tinha tocado com Densmore em uma outra
banda antes, para assumir as seis cordas. E assim, definitivamente, nasceu o
Doors que o mundo conheceu.
Em agosto
de 66, depois de muito show por aí e muita portada na testa, o Doors fechou,
então, um acordo com a Elektra Records para fazer o primeiro disco. O acordo
veio numa boa hora, uma vez que a banda foi demitida, pouco tempo depois, da
casa de shows em que eles se apresentavam, a Whisky a Go Go, por atitude
obscena e profana de Morrison.Vocês lêem tragédia grega? Conhecem a história de
Édipo Rei? É aquela em que o protagonista mata o pai, dorme com a mãe e arranca
os próprios olhos. O vocalista conhecia e achou que seria interessante
acrescentar um trecho dela em “The End”. (“Puta idéia essa minha!”, pensou
Morrison.)
O disco
homônimo foi gravado no final de agosto mesmo (mês agitado!) e lançado em
janeiro de 67. Inclui algumas das maiores músicas da banda, como “Break On
Through (To The Other Side)”, o primeiro single e hino da psicodelia; “Light My
Fire”, um ode ao sexo, com um (dois) pé(s) no jazz, se tornou a música mais
tocada da banda nas rádios na época (primeiro lugar nos EUA); “The End”, música
ambiciosa, com 11 minutos de um drama psicológico; “Soul Kitchen” e “Twentieth
Century Fox”, as mais roqueiras desse trabalho; as versões de “Alabama Song
(Whisky Bar)” e “Back Door Man” – a primeira, a versão americana de uma canção
alemã da peça Hauspostille, de Bertold Brecht e a segunda do cantor de blues Willie
Dixon; “The Crystal Ship”, que carrega influência forte de Frank Sinatra (Jim
era um fã); e outras igualmente importantes para a evolução da música e da
contracultura da década de 60. Esse álbum mostrava influências fortes de blues,
rock, jazz e poesia e é considerado um dos melhores debutos da história do rock. O casamento entre
guitarra e teclado faz a cama perfeita para a voz e a poesia sombria e envolvente
de Jim Morrison.
Apesar de
duas músicas terem sido censuradas pela Elektra (“Break on Through”, por
referência ao uso de drogas e “The End”, pelo uso excessivo da palavra “f♥ck”), o disco foi um grande sucesso
(só não chegou ao primeiro lugar das paradas americanas por causa de uma banda
inglesa chamada Beatles e um disco chamado Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band)
e é influente até hoje, tendo alcançado a posição 42 na lista dos 500 discos
mais importantes da história segundo a Rolling Stone, e influenciou uma
rapaziada que você já deve ter escutado, como Iggy Pop, Joy Division, Marilyn
Manson, Stone Temple Pilots, The Cult e The Strokes.

