quarta-feira, 8 de abril de 2015

The Doors - The Doors



Oi. Você já ouviu o primeiro do disco do The Doors (1967)? Ta perdendo, hein! Discásso!



Tudo começou quando, num belo dia de 1965 (Não sei, na verdade, se estava belo. Sou um otimista!), um sujeito chamado Jim Morrison chegou para outro sujeito chamado Ray Manzareck, que ele conheceu na UCLA (University of California, Los Angeles) - mais precisamente na Academia de Teatro, Cinema e TV, e disse que tinha escrito umas músicas, nada demais. Acontece que esse tal de Manzareck tocava teclado numa banda chamada The Rick and the Ravens, que ele tinha com os dois irmãos dele, e insistiu muito para que Morrison desse uma palhinha de alguma música que ele tinha escrito. Morrison cantou uma chamada “Moonlight Drive”, que convidava o ouvinte (ou a “ouvinta”) a nadar na lua e penetrar  pelas ruas da cidade enquanto todos dormem. O Manzareck pirou naquela poesia psicodélica e chamou o Jim para cantar na sua banda. Nascia, então, o embrião do que viria a ser o Doors.

O Manzareck conhecia um baterista chamado John Densmore das suas aulas de meditação e chamou ele para entrar na banda. Esses cinco caras e mais uma baixista chamada Patty Sullivan, passaram a se chamar The Doors, gravaram uma demo tape e fizeram um belo de um burburinho pela cena alternativa da California. Um tempo depois, os dois irmãos Manzareck e a Patti saíram da banda e os três que sobraram chamaram o guitarrista Robbie Krieger, que já tinha tocado com Densmore em uma outra banda antes, para assumir as seis cordas. E assim, definitivamente, nasceu o Doors que o mundo conheceu.

Em agosto de 66, depois de muito show por aí e muita portada na testa, o Doors fechou, então, um acordo com a Elektra Records para fazer o primeiro disco. O acordo veio numa boa hora, uma vez que a banda foi demitida, pouco tempo depois, da casa de shows em que eles se apresentavam, a Whisky a Go Go, por atitude obscena e profana de Morrison.Vocês lêem tragédia grega? Conhecem a história de Édipo Rei? É aquela em que o protagonista mata o pai, dorme com a mãe e arranca os próprios olhos. O vocalista conhecia e achou que seria interessante acrescentar um trecho dela em “The End”. (“Puta idéia essa minha!”, pensou Morrison.)

O disco homônimo foi gravado no final de agosto mesmo (mês agitado!) e lançado em janeiro de 67. Inclui algumas das maiores músicas da banda, como “Break On Through (To The Other Side)”, o primeiro single e hino da psicodelia; “Light My Fire”, um ode ao sexo, com um (dois) pé(s) no jazz, se tornou a música mais tocada da banda nas rádios na época (primeiro lugar nos EUA); “The End”, música ambiciosa, com 11 minutos de um drama psicológico; “Soul Kitchen” e “Twentieth Century Fox”, as mais roqueiras desse trabalho; as versões de “Alabama Song (Whisky Bar)” e “Back Door Man” – a primeira, a versão americana de uma canção alemã da peça Hauspostille, de Bertold Brecht e a segunda do cantor de blues Willie Dixon; “The Crystal Ship”, que carrega influência forte de Frank Sinatra (Jim era um fã); e outras igualmente importantes para a evolução da música e da contracultura da década de 60. Esse álbum mostrava influências fortes de blues, rock, jazz e poesia e é considerado um dos melhores  debutos da história do rock. O casamento entre guitarra e teclado faz a cama perfeita para a voz e a poesia sombria e envolvente de Jim Morrison.

Apesar de duas músicas terem sido censuradas pela Elektra (“Break on Through”, por referência ao uso de drogas e “The End”, pelo uso excessivo da palavra “f♥ck”), o disco foi um grande sucesso (só não chegou ao primeiro lugar das paradas americanas por causa de uma banda inglesa chamada Beatles e um disco chamado Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band) e é influente até hoje, tendo alcançado a posição 42 na lista dos 500 discos mais importantes da história segundo a Rolling Stone, e influenciou uma rapaziada que você já deve ter escutado, como Iggy Pop, Joy Division, Marilyn Manson, Stone Temple Pilots, The Cult e The Strokes.


Nenhum comentário:

Postar um comentário