quarta-feira, 1 de abril de 2015

Black Sabbath - Paranoid



Oi. Você já ouviu Paranoid (1970), do Black Sabbath? Não? Vai ter que ouvir agora. E a propósito, eu sei que eu escrevi há pouco tempo sobre o Black Sabbath, mas dane-se, o blog é meu. ; )



Esse é o segundo álbum do Sabbath, gravado somente 4 meses após o lançamento do primeiro e, além de ser considerado um dos melhores da carreira deles, é um dos álbuns mais influentes da história do Heavy Metal. Mas e daí? O primeiro disco é considerado o pai desse estilo! Sim, mas em Paranoid é que o estilo se consolidou de vez, meu chapa. Acabou o blues, acabaram as comparações com o Led Zeppelin e com o Deep Purple, acabou a insegurança e imaturidade no som da banda. O negócio agora é som pesado, música fúnebre em escalas menores e alguns daqueles que vão ser os mais conhecidos riffs da história da música. Acabou também aquele som com a cara de jam session. Paranoid apresenta músicas com começo, meio (com direito a climax) e fim e que sabem que direção vão seguir... Sem contar a qualidade da gravação, que nem se compara.

Os temas abordados, se não se modificaram desde o último registro, ficaram mais obscuros. Filmes de ficção científica e de terror se mantém como uma grande influência, o que inclui morte, guerra, doenças mentais como depressão e abuso de drogas. “Não é a toa que nunca haviam garotas nos nossos shows”, lamentou Ozzy na sua autobiografia. “War Pigs” abre o disco com um soco na sua nuca. Uma música de protesto contra a Guerra do Vietnã, que fala tudo o que a juventude hippie americana quis dizer mas foi calada. “Políticos se escondem/ Eles apenas iniciaram a guerra/ Por que eles deveriam sair para lutar?/ Este papel eles deixam para os pobres, sim!/ O tempo dirá em suas mentes de poder/ Fazendo guerra só por diversão/ Tratando as pessoas como peões no xadrez/ Espere até que seu dia do julgamento chegue.”

A banda queria que War Pigs fosse o título desse álbum, mas a gravadora achava muito agressivo e persuadiu Ozzy e cia. a trocar para Paranoid. Essa palavra, aliás, nem é mencionada na letra dessa música que vem na sequência e se tornou um hino do rock no mundo inteiro. Quando a banda gravava o disco (que apesar de ter mais qualidade que o primeiro, foi gravado em três dias), eles precisavam preencher ainda 3 minutos do álbum que já estava quase pronto. De repente, Tony criou o riff, a ideia da letra pipocou na cabeça de Geezer (sobre a depressão que toma uma pessoa quando o efeito da droga vai embora) e Ozzy começou a cantar, e assim, duas horas depois, nasceu uma das músicas mais conhecidas de uma geração.

Nesse disco também está “Iron Man”, que apresenta outro dos riffs mais conhecidos no mundo e que, de acordo com o jornalista Manish Agarwal (ex-Times), parece antecipar o som que o movimento grunge faria no fim dos anos 80 e consolidaria o rock na década de 90. A viagem da idéia por trás da letra é a melhor parte. Um cara viaja para o futuro e testemunha a apocalipse. Ele volta para tentar salvar a humanidade, mas no caminho, alguma coisa dá errada e ele é transformado em aço. E isso é legal? Não, porque ele acaba ficando mudo nesse processo e não consegue avisar as pessoas do que vai acontecer. Somado a isso, tem o fato que as pessoas que ele está tentando salvar, começam a tirar um sarro da cara dele, por causa do acidente que deixou o mudo e transformou em aço. Aí tomado pela ira, ele mesmo destrói a humanidade, se tornando o próprio causador do apocalipse que ele tinha testemunhado.

Existe ainda “Eletric Funeral”, sobre guerra nuclear; “Planet Caravan”, que é, possivelmente, a música mais sossegada que a banda já gravou; “Hand of Doom”, que falava sobre o trauma sofrido pelos soldados americanos ao voltar da Guerra do Vietnã – algo que, na época, era mantido em segredo da mídia; “Fairies Wear Boots” sobre skinheads; etc.

Esse disco marca o fim da era hippie. Havia guerra e outras coisas ruins demais acontecendo no mundo para se cantar sobre flores e amor livre. Em Paranoid, não pode se dizer que o Black Sabbath se renovou, mas, com certeza se aprimorou. Eliminou os excessos sem perder a potência da voz de Ozzy, a dinâmica da cozinha do baterista, Bill Ward e do baixista Geezer Butler e os riffs inconfundíveis do Guitar Hero, Tony Iommy. E esses são os elementos que fazem o Sabbath ser o que é.


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