terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Bruce Springsteen - The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle

Oi. Você já ouviu o disco The Wild, The Innocent & The E Street Shuffle (1973), do The Boss, Bruce Springsteen? Então daqui pouco você continua o que você está fazendo. A gente precisa conversar.



Quando eu criei esse blog meu intuito era, entre outras coisas, me obrigar a conhecer material novo (mesmo que velho!). Isso acabou me dando a oportunidade de quebrar velhos preconceitos. Eu só resolvi escrever sobre esse disco porque um amigo muito querido, Sérgio Fernandes, é um grande fã do The Boss e, mesmo eu dizendo que não gostava do som que o Bruce Springsteen fazia, sempre insistia para que eu desse uma chance, para que eu fosse além do “Born in the USA”. Pois bem, o dia chegou e que surpresa boa eu encontrei.

Ao contrário da maioria dos disco que eu já escrevi a respeito aqui no blog, esse não foi na época um sucesso de vendas, mas é, hoje, um dos favoritos dos fãs. Apenas oito meses depois da sua estréia com um disco folk rock, Bruce Springsteen amplia seus horizontes em um disco que traz influências de jazz, funk, soul, além do habitual folk rock. Em seu segundo disco, ele parece se levar mais a sério também. As músicas ficaram mais ambiciosas, mais longas, mais românticas, sem perder a assinatura do autor. As letras vagueiam sobre as esquinas de Nova Jersey e as ruas movimentadas de Nova York e formam o retrato de um artista que, ainda que cheio de nostalgia, está seguindo em frente.

Como coloca o jornalista Dave Lifton, as duas músicas que abrem o disco, “The E Street Suffle” e “4th of July, Asbury Park (Sandy)” trazem um feeling cinematográfico perfeito. A primeira sendo a típica cena do baile de formatura no ginásio da escola, e a segunda, o momento em que o mocinho fala para a namorada que vai deixar a cidade e buscar o que mais existe no mundo afora. 

“Kitty´s Back” vem em seguida, trazendo forte influência de jazz. Metais, solos de guitarra e teclado (por David Sancious, o Boss do The Boss – ele morava na E Street, que acabou dando o nome para a banda) e voz impecável. “Wild Billy´s Circus Story” fecha o primeiro lado do disco no estilo circense itinerante que dá nome à música, com Springsteen no violão, acompanhado de uma tuba, bandolim, acordeão e percussão.

O lado B contém só três músicas, mas tem quase 23 minutos. Duas delas reforçam o lado nova iorquino do disco, “Incident on 57th Street” e “New York City Serenade”. No meio dessas duas, há a belíssima “Rosalita (Come Out Tonight)”, música que fechou os shows de Bruce Springsteen até 1988.


Nunca de novo o mundo viu The Boss tão eclético, bebendo de tantas fontes e mesclando ritmos com tanta maestria. Muito disso se deve à saída de alguns membros originais da E Street Band. Vini “Mad Dog”, baterista, saiu no braço com o irmão do empresário do grupo - foi demitido. Ernest “Boom” Carter e David Sancious, baterista substituto do Mad Dog e tecladista respectivamente, saíram em 1974 para formam um grupo de jazz, o Tone. Os novos membros da banda acabaram aguçando o lado mais roqueiro de Springsteen, que nunca voltou a fazer outro álbum como esse, ironicamente um dos melhores na história do rock. 


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