terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Janis Joplin - Pearl



Oi. Você já ouviu o disco Pearl (1971), da Janis Joplin? Então pára o que você está fazendo e vai lá no player no fim dessa postagem e ouve. A gente precisa conversar.



Pearl é o segundo disco solo de Janis e o primeiro com a banda Full Tilt Boogie Band. Na época do início do processo de gravação, ela, que estava sempre na beira do precipício com o seu vício em drogas, álcool e natureza passional, parecia (ênfase em “parecia”) estar, finalmente, dando um rumo em sua vida. Estava mais sossegada e até noiva. “Sossegada”, na vida de Janis Joplin, tem um significado relativo. Na capa do álbum, aliás, ela aparece com seus habituais companheiros – bebida e cigarro.

O álbum tem um som mais enxuto, mais limpo do que seus discos anteriores com a Big Brother and the Holding Company (sua antiga banda), devido, tanto, à mudança de seus companheiros músicos quanto à produção de Paul A. Rothchild. Ele era, na época, o produtor do The Doors, banda que acabou por deixar seu trabalho muito conhecido. Sua preocupação nesse disco era fazer o que fosse possível para extrair o máximo da potência e das nuances da voz de Janis, que ele chamava de “o sonho de qualquer produtor”, e transformá-la na maior cantora de todos os tempos.

Janis aprovou e compôs pessoalmente cada uma das nove faixas desse disco, incluindo o hit “Me and Bobby Mcgee”; “Trust Me”, de Bobby Womack, que foi escrita especialmente para ela; “Get It While You Can”, que comprova as intenções do produtor do disco de mostrar a potência e a versatilidade da voz de Janis; e até “Buried Alive in the Blues”, que permaneceu uma faixa instrumental, uma vez que Janis jamais chegou a gravar a linha vocal da música - a última que faltava para completar o disco.

A cantora foi encontrada morta no chão ao lado de sua cama, no dia 7 de outubro de1970, no Landmark Motor Hotel, onde estava hospedada, pelo seu empresário John Cooke, que estranhou a sua ausência na sessão de gravações de “Buried Alive in the Blues”. A causa da morte foi uma overdose de heroína, possivelmente combinada com bebidas alcoólicas. Acredita-se que ela tenha recebido uma dose mais forte da que costumava receber de seu traficante, uma vez que diversos casos de overdose de heroína foram relatados na mesma época e nessa mesma região. Ela tinha 27 anos.

Pearl alcançou o número 125 na lista dos 500 melhores discos de todos os tempos, da revista Rolling Stone. Seja no estilo hippie, gospel, country ou soul, Janis nunca soou melhor do que nesse trabalho. É uma pena que ela não tenha vivido para ver seu grande triunfo.


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